IV Encontro dos antigos alunos de Abrantes

A Associação dos Antigos Alunos de la Salle (AAA de La Salle) organizou no dia 4 de maio, em Abrantes, o IV Encontro de antigos alunos de Abrantes.

O dia vestiu-se de azul e branco, com um sorriso de sol, cheio de luz, ameno, para receber os antigos alunos que aproveitaram o momento do reencontro, não só para reviverem o passado, mas também para partilharem emoções, para desanuviarem mágoas, para avivarem a centelha lassalista (que um dia lhes foi depositada através de sábias palavras e ensinamentos ministrados por Irmãos e professores); para fortalecerem a amizade através da prodigiosa memória; para voltarem a sentir o espírito vivo de uma geração da “Grândola Vila Morena”; para fortalecerem a fé , para conviverem prazerosamente à volta da mesa onde não faltou a poção mágica para afastar todos os males.

Através do telefone, alguém anima: “o 4 de Maio (sábado) está mais próximo. Não convém deixar para o fim…Temos de confirmar no Restaurante do Parque de S. Lourenço de Abrantes o número de comensais.” Após este trabalho incansável do Carlos Borrego, antigo professor do colégio e presidente da Assembleia da AAA de La Salle, uma centena de antigos alunos compareceram inscrevendo-se no 4º Grande Encontro La Salle de Abrantes. Uns quantos justificaram a ausência, com certa tristeza, invocando problemas de saúde ou outros motivos de índole familiar ou profissional.

A receção com cariz de acolhimento fez-se na Praceta S. João Baptista de La Salle – Patrono Universal dos Professores. E há aqueles abraços de abraçar, “como estás?”, “Ei pá, estamos mais velhos!”, “deixa lá, estamos vivos!” e uma alegria nos rostos de quem descobre lá na memória aquele “outro” que cada um de nós já foi. E ouve-se risadas, as pessoas movem-se, procuram antigos indícios, fala-se do passado, pergunta-se por companheiros, um outro, mais desiludido, puxa do cigarro pensativo e vai dar uma volta. 60 anos depois dos Irmãos de La Salle terem aberto o colégio e 45 anos depois de o terem fechado, a chama lassalista continua viva nestes “cotas” resilientes que têm a capacidade de ultrapassar certas adversidades de ordem física para seguir projetando o La Salle no futuro. Com certa idade, mas vivos!

O Irmão Joaquim, olha o relógio, esgueira-se do grupo e juntamente com o Irmão Luís vão ao carro e, sorrateiramente, passam pelo grupo com símbolos, flores, cartazes. É hora de preparar a mesa que servirá de altar para a eucaristia. Embeleza-se o local, com a preciosa ajuda do pessoal não docente da escola. O antigo sacrário emerge juntamente com uma estatueta da Virgem Maria, relíquias vivas do que resta da capela do antigo colégio.

Antes do início da eucaristia, o Ir. Joaquim relembra aos presentes que o La Salle tem uma história de trezentos anos e apresenta e explica o cartaz que reforça o lema deste ano “Somos La Salle”. Nesse cartaz destaca-se o rosto do Fundador, tudo o que está à sua esquerda “representa a riqueza de um passado, destacando-se as pessoas: os antigos e atuais alunos, os antigos e atuais professores, os Irmãos”; o rosto, com os olhos bem abertos, de S. João Baptista de La Salle “reforça a vontade de continuar a Missão de cara ao futuro. O La Salle olha de frente para o futuro, sem medo, com determinação, com fé, com amor.”

De seguida Informou, que ao comemorarmos o 300º aniversário do falecimento de S. João Baptista de La Salle – Patrono Universal dos Professores (30 de Abril de 1651 – 7 de Abril de 1719), o Papa Francisco declarou este ano como Ano Jubilar, uma vez que, três séculos depois da sua morte, o fundador das escolas populares continua vivo nos Centros Lassalistas e nos corações dos Irmãos de La Salle e nos mais de dez milhões de antigos alunos, assim como no milhão alunos atuais espalhados por todos os continentes.

Jubileu lassalista: “ 300 anos a peregrinar para além das fronteiras”

Iniciou-se a 17 de novembro de 2018 e estender-se-á até 31 de dezembro de 2019. Como acontece em todos os jubileus, a Santa Sé concedeu a indulgência Plenária de que todos os fiéis poderão usufruir durante esse tempo. Para o Irmão Superior Geral, Robert Schieler, “esse tempo oferece a oportunidade de expressar a nossa fé através de ações concretas a favor dos mais necessitados” por esta razão, convida todos a celebrar o Jubileu “por meio de atos práticos de bondade e serviço aos mais jovens que necessitem da nossa misericórdia e compaixão”.

São várias a condições para obter a indulgência. Apresentam-se duas, a exemplo: aproximar-se com o coração contrito ao Sacramento da Reconciliação; realizar uma peregrinação ao Santuário de S. João Baptista de La Salle em Roma ou nos lugares onde há relíquias do santo.

A Eucaristia solene, muito participativa serviu, em primeiro lugar, para agradecer a Deus os 300 anos da grandiosa obra iniciada por S. João Baptista de La Sale, o ano Jubileu; em segundo lugar para escutar a palavra de Deus e sentir o amor de Jesus presente nas nossas vidas.

Após cantar o Hino do Fundador, Carlos Borrego chamou ao palco os Irmãos presentes, antigos fundadores do colégio de Abrantes, o presidente da Associação e o presidente da Câmara de Abrantes. O Ir. Joaquim apelou à solidariedade dos presentes, a fim de criar bolsas de estudo que se destinarão a apoiar alunos carenciados do colégio de La Salle de Barcelos. Seguiu-se alguns testemunhos de alunos fundadores de Abrantes. O José Carlos, presidente da Associação, aproveitou o momento para agradecer a presença de todos e lançou o convite para o dia 25 de maio, apresentando o respetivo programa dando destaque à cerimónia a realizar em Amares, em homenagem ao Ir. Mário, mártir da guerra de Espanha, cuja eucaristia será presidida pelo arcebispo de Braga, Jorge Ortiga. O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, aproveitou o momento para agradecer a presença de todos e reafirmar que os lassalistas serão sempre bem recebidos em Abrantes.

Tirada a foto de família, todos se dirigiram para o S. Lourenço-Abrantes, um agradável restaurante, e ali, de uma forma mais descontraída e com um repasto saboroso continuaram o saudável convívio.

Coube ao Ir. Luís Lopez dar por encerrado o encontro, com a queimada galega, “aspergindo o saboroso néctar” desejando a todos um bom regresso às suas casas.

 

Uma viagem que nos levou a Abrantes
O Norte esteve bem representado

“- Quem não estiver no colégio La Salle, às 7:00 fica em terra!” – ameaçava o António Oliveira.

“São sete menos dez, meu caro. Ora mostra-me o teu relógio… Vê, está atrasado um minuto… Entra, entra!” – reinava o Zé Carlos quando me apanhou à entrada do meu portão. E tinha razão, porque o que ficou combinado era em frente ao café, junto à estrada nacional… há que ser pontuais, claro. 11 dos participantes cumpriram. Os primeiros até foram os de mais longe, de Viana do Castelo o Albino e a mulher; de Esposende o Joel e o António Oliveira, assim como o Azevedo. Quando eu e o José Carlos chegamos fomos recebidos quase como incumpridores. “Ainda faltam três minutos para as sete” – protestei. O Oliveira olha para o relógio, questiona o presidente, “mereciam um castigo!” mas calou-se porque os atrasados eram dois pesos pesados: Ir. Joaquim e o Ir. Luís. Violinha ao saco e há que resmungar contra o atraso da Virgínia, tesoureira da Associação. “Não é fácil para uma mãe deixar para trás duas filhas e fazer uma viagem de trezentos quilómetros com dois advogados, um antigo professor e um presidente.” Foi recebida com sorrisos adormecidos. O mercedes orgulhoso do nosso presidente encaminhou-se com certas cautelas para a autoestrada “isto não pode ultrapassar os 130” (o dono parece que andou a fazer algumas asneiras, e a carta estava por um fio) mesmo assim Antuã surgiu depressa, lugar onde se marcou o encontro para o café.

A viagem era pautada pela pontualidade. Era preciso chegar antes das 10:30. Vamos! “O Joel ainda está a puxar por um cigarro”. Espera-se mais um bocadinho, que remédio! E há que implicar com o David que não tirava o casaco. Os passageiros no banco de trás iam apertados e tudo por culpa do pobre casaco. Filosofou-se, politicou-se, cantou-se e por fim chegou-se ao destino. Tirando um pequeno susto, a viagem tanto de ida como de regresso fez-se bem com alguns cigarros atrevidos e demorados pelo meio e umas sandes de leitão saudosas.
O norte representou-se no IV Encontro de Abrantes com um naipe de quinze cavaleiros/cavalheiros valentes destemidos e orgulhosos cantores… “para colher uma romã, que estava madura, no chão…”

David Macedo

 

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