Memórias de um Natal – Colégio de S. Caetano
Foto: Colégio de S. Caetano
António Nogueira (antigo aluno)

Escrever sobre o Natal parece fácil, mas nem sempre o é, sobretudo quando esse Natal, sobre o qual pretendemos escrever, tem pelo menos cinquenta anos.

Sou originário de uma família humilde, de um meio onde a habitação era dispersa. A minha integração no Colégio de S. Caetano ocorreu quando eu tinha oito anos de idade, sentindo muito cedo que a minha família passou a ser aquela. Era uma família enorme!

Reconheço que no Colégio de S. Caetano sempre houve uma preocupação dos Irmãos em promoverem as comemorações de datas e épocas marcantes para a instituição, mas aqui e agora só pretendo destacar a Festa de Natal.

Naquele tempo o refeitório dos alunos era um só, onde todos os grupos de alunos se juntavam para fazer as refeições diárias – esses grupos eram, os maiores, os médios e os pequenos.

Ali, naquele refeitório, montava-se a árvore de Natal, bem grande. Tão grande que nos mostrava, a nós pequenos, que a Festa de Natal é uma festa enorme! Aquela árvore de Natal tinha tantas estrelas que nos mostrava o quanto o céu estava perto, tão perto! E nós, no nosso pequeno corpo, tínhamos um imaginário tão grande que até compensava a ausência de brinquedos. Mas tínhamos os doces natalícios, não muitos… mas eram doces e bons! Tínhamos os cânticos de Natal que nos envolviam e acarinhavam a alma de pequeno.

Tínhamos ainda um modesto presépio na capela, tão modesto quanto a família ali revelada e que representava a nossa humilde origem, também. Logo pela manhã, a capela recebia os paroquianos que ali se deslocavam para participar na missa. Nós (os pequenos, médios e graúdos) tomávamos lugar nos bancos da frente da capela e, com as nossas vozes harmoniosas, entoávamos os cânticos religiosos, muitas vezes ensaiados.

Naquele Natal, o primeiro de muitos, tinha tanta coisa diferente como nunca eu tivera até ali, porém… sentia a falta do carinho da minha mãe, o aconchego do meu humilde lar, o calor da família… aquela que me viu nascer.

António Nogueira
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